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Recanto das letras

domingo, 26 de março de 2017

CORAÇÃO EXILADO!

Vi, quando arrancaste, o coração do peito,
Sangrava desolado, sem saber direito,
Qual crime, fora a ele imputado,
Se, a acusação seria, a de muito ter amado...

O julgaste e condenaste, a pena foi o exílio,
Não ouviste seus rogos, lhe negaste auxílio,
Rolou, por sarjetas sujas, solitário,
Por longo tempo, padeceu nesse calvário...

Já nada mais esperava, sofria em agonia,
Nesta noite chuvosa, a solidão mais lhe doía,
Como em sonho, teu chamado, ao longe ouvia,
E tua mão, o retirava da lama, o acolhia...

-Voltaste! Exclamou o coração choroso,
Prometo, não mais amar, errado de novo,
- A dor curou-me, aprendi por tanto sofrer,
Que, só vale a pena... Quando é mútuo o querer...


      Lani (Zilani Celia)

quinta-feira, 9 de março de 2017

ESTRADA SOLIDÃO!


Sou estrada, que cruza sem parar a vida,
Indo e voltando sem paz, sem guarida,
Sei que a vontade de Deus é sagrada,
Me fez caminho, comprido, sem parada...

Sigo em frente, vou em todas as direções,
Corto montanhas, atravesso pontilhões,
Em mim nascem sonhos, unem-se corações,
Acolho o devoto, conduzo procissões...

Sou da terra a veia, onde o sangue pulsa,
Fui a ferida rasgada, que não cicatriza,
A poeira me cobre, o silêncio me machuca,
Acolho a flor, que arrancada, murcha...

Quando noite, fico vazia, solitária,
Deixo a pressa morrer, visto a mortalha,
Num cortejo fúnebre, Inicio uma triste travessia,
E, ao clarear o dia, novamente... Só sou... Rodovia...


       Lani (Zilani Celia)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A CIGANA!

A noite cai a lua a enfeita,
Tudo é magia, na pequena praça,
A fogueira arde, o ritual começa,
A música soa a movimentação é frenética...

Num clarão ela surge, ar de princesa,
No pescoço o colar, da legítima deusa,
Contorce o corpo, na folclórica dança,
O fogo a reflete e sua imagem, a luz agiganta...

No espaço, muita gente, não só de seu povo,
Sente um olhar sombrio, enrubesce o rosto,
Da pupila inquieta, que maquina, arquiteta,
Pressente a maldade e com arrepios, seu corpo reage...

É madrugada, quando à tenda se recolhe,
Ante o perigo clama, por sua protetora, entidade,
Levanta a voz, numa fervorosa prece,
E proteção, a grande mãe, ela pede...

Ele atirara-se sobre ela, já no estertor da morte,
Não entende como, de suas mãos a cigana some,
Ainda vê, sobre a cama, uma flor exangue,
E um pequeno punhal... Coberto de sangue...


    Lani (Zilani Celia)

domingo, 8 de janeiro de 2017

A CANÇÃO DA VIDA!

Nasce com cada um, como um hino,
Forte, cada estrofe, canta o menino,
Apenas palavras, em seu desafino,
As repete, em seu viver genuíno...

O jovem encontra o amor, deslumbrado,
Faz poesia, inventa palavras, apaixonado,
Perde o sono, sonha no escuro, encantado,
Compõe uma estrofe e queda-se, cansado...

O homem maduro, canta seus feitos,
É dono do mundo, não tem defeitos,
Constrói sua história, meticuloso,
Quer contá-la a todos, de si, orgulhoso...

Quando o tempo nos toma, absoluto,
Trás maturidade, calma e também o luto,
A lágrima rola, a canção é cantada baixinho,
A saudade é doída... Cumpriu-se, nosso destino...



    Lani  (Zilani Celia)

sábado, 17 de dezembro de 2016

BOM DIA TRISTEZA!


  
Estás aí, mesmo num dia lindo,
Não és bem vinda, a entrar, não te convido,
Se abrir a guarda, virás em mim morar,
E, novamente o sol, se negará a entrar...

Abri a janela, e pude ver as flores,
Se estivesses aqui, não lhes veria as cores,
Por muito tempo, foste minha companheira,
Mas, vá embora, acabou, quero viver por inteira...

Olhei em volta, como a muito não o fazia,
Vi sorrisos, transbordei de alegria,
Senti uma mão gentil, segurar a minha,
No exato momento, em que, ao tropeçar caia...

Como titã, lutei por minha alforria,
Fui tua escrava, cativa, não percebia,
Que algoz, sem pena, sugavas minha energia,
Não te quero mais, vá embora tristeza... Bom dia...

  Lani (Zilani Celia)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A ÚLTIMA GOTA DE ORVALHO!


A manhã está fria, ainda é inverno,
Na árvore, uma gotinha congelada de orvalho,
Protege-se, da réstia de sol, atrás de uma folha,
Não quer derreter, mas, não há muita escolha...

Olha triste, para a linda, flor amarela,
Pela última vez, quer tocar sua pétala,
Sentir seu perfume e com toda a candura,
Dizer bem baixinho, o quanto a ama...

Quer beijar seus lábios, mas, há pouco tempo,
Lança-se ao ar, vai cumprir seu intento,
De chegar até ela e por um só momento,
Ser, sua seiva de vida, seu último alento...

Cai a chuva, o vento a arrasta, numa forte rajada,
De longe, vê seu amor, já toda molhada,
Desolada ela chora, ainda presa a um galho,
Dá adeus, à rosa amarela... A gotinha de orvalho...


        Lani (Zilani Celia)

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

DOR PUNGENTE!



  
Queres chorar e a lágrima não vem, se nega,
Trancou-se em teus olhos, tem vida própria,
Apenas brilha, recusa-se a aparecer,
Como estrela, no céu escuro, antes de chover...

O peito arde, a desilusão é imensa,
É fogo, e impiedosa queima,
Só quer ser livre, entregar-se ao pranto,
E poder ser fraca, apenas um ser humano...

A boca seca, o ar lhe falta,
O soluço a sufoca, preso na garganta,
A voz é rouca, soa fraca,
O grito estanca, a ninguém alcança...

A noite chega, fecha-se enfim,
O triste dia passou, chegou ao fim,
Despe-se agora, da hipocrisia que a aprisiona,
Liberta sua alma... Quer morrer... Sozinha...

      Lani (Zilani Celia)